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Rodrigo Brito ressalta integração entre gestão estratégica e governança

Atualizado: Out 28



A RGB Entrevista de hoje é com Rodrigo Brito, Coordenador-Geral de Governança e Integração de Gestão do Ministério da Economia.



RGB - Nos últimos anos, temos observado que a Governança Pública tem ganhado destaque em diversos países. Na sua visão, o que é a Governança no setor público?


Rodrigo Brito - Gosto bastante de dois conceitos muito simples: o de Bell e Hindmoor[1], que definem governança “como as ferramentas, estratégias e relacionamentos utilizados pelos governos para ajudar a governar” e o do Australian National Audit Office – ANAO[2], o qual afirma que a governança do setor público engloba a maneira pela qual as organizações do governo cumprem as responsabilidades administrativas de forma transparente, responsável e prudente na tomada de decisão e na implementação e gestão de entregas de políticas públicas.


São definições concisas e diretas na minha visão, ao vincular a governança às ferramentas, estratégias e relações facilitadoras do ato de governar e ao relacionar governança pública a dois de seus conceitos centrais: o processo decisório e a capacidade de entrega de resultados para sociedade.


[1] BELL, S.; HINDMOOR, A. Rethinking governance: the centrality of the state in modern society. Melbourne: Cambridge University Press, 2009. p. 2. [2] AUSTRALIAN NATIONAL AUDIT OFFICE - ANAO. Public sector governance: better practice guide. Commonwealth of Australia, Canberra: 2003.


RGB - Você tem mais de quinze anos de experiência em governo. Na sua opinião, quais são os principais desafios para a implementação da Governança no setor público?


Rodrigo Brito - Um primeiro desafio é o semântico. Governança é algo tão amplo e abstrato que pode remeter a basicamente toda e qualquer função político-gerencial ou político-institucional de uma organização pública, dado que liderança, estratégia e controle abarcam muitas das interfaces possíveis entre os processos de trabalho, os produtos e os resultados corporativos.


Delimitar a governança organizacional pública é um primeiro passo importante. Definir elementos, exemplificar, apresentar modelos de excelência e boas práticas como marcos referenciais, promover diálogos e troca de informações e experiências – tudo isso pode ajudar bastante a clarear do que tratamos quando abordamos essa esfera da vida pública.


Os demais desafios, não menos relevantes, são práticos: fazer a governança organizacional ocupar um lugar institucional de destaque e efetivamente de facilitação do processo decisório, na medida exata para não travar fluxos ou instituir ritos obsoletos, ineficazes. Esse trabalho de integração é nosso; de quem atua no campo da estratégia, dos processos, dos riscos; de quem comanda as ações de gestão de uma organização pública.


RGB - Como tem sido o desafio de trabalhar com Governança em um órgão com o tamanho do Ministério da Economia?


Rodrigo Brito - O Ministério da Economia realmente é um órgão colossal, fruto da fusão de quatro outros ministérios pregressos. Governança passa a ter um papel preponderante, para harmonizar conceitos e ritos, promover integração entre as práticas de gestão e oportunizar a qualificação do processo decisório acerca de pautas estratégicas e transversais.


Daí a opção por montar uma modelagem de governança organizacional robusta e complexa, como o próprio órgão, privilegiando uma série de colegiados internos de apoio à governança nos diversos temas transversais, como forma de subsidiar o Comitê Ministerial de Governança (CMG) e tornar a tomada de decisão mais célere, fluida e harmonizada.


É nesse âmbito que atua a Coordenação-Geral de Governança e Integração da Gestão do ME: no suporte e assessoramento aos colegiados internos de apoio à governança organizacional; em fazer essas instâncias saírem do papel e operarem coordenadamente, do modo mais uniforme possível. É o trabalho de uma equipe pequena, de apenas três pessoas, mas responsável por instituir ritos, protocolos e práticas que permitam a tais comitês uma atuação efetiva e qualificada, com um olhar especial sobre o potencial do planejamento, do monitoramento e da avaliação para o aprimoramento das dinâmicas e dos resultados dessas instâncias colegiadas.


RGB - Quais são os principais objetivos do Programa de Integração, Governança e Estratégia do Ministério da Economia?


Rodrigo Brito - O Programa de Integração, Governança e Estratégia do Ministério da Economia – Integra, criado em 2019, tem por propósito promover a integração da gestão, por meio de uma governança que propicie a ação harmônica entre as estratégias, processos e projetos, para sedimentar as melhores práticas que contribuam ao alcance dos resultados almejados pelo órgão.


São objetivos específicos desse programa: