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Brasil e Peru debatem governança, integridade e gestão de riscos nas Escolas de Negócios

há 46 minutos
7 min de leitura

Encontro Internacional “Além da Excelência” reuniu especialistas dos dois países para discutir regulação, integridade acadêmica, compliance, gestão de riscos e os impactos das transformações tecnológicas na educação executiva


Governança, integridade e gestão de riscos foram os principais temas do Encontro Internacional “Além da Excelência – Desafios de governança, integridade e gestão de riscos nas Escolas de Negócios”, realizado nesta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, em formato on-line.


Promovido pelo Comitê de Governança em Educação da Rede Governança Brasil (RGB), o encontro aproximou experiências do Brasil e do Peru em uma discussão sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas instituições de educação executiva e pelas Escolas de Negócios.


A programação reuniu representantes da Rede Governança Brasil e especialistas com atuação nas áreas de governança, compliance, proteção de dados, integridade, auditoria, gestão de riscos e educação.


A abertura contou com a participação de Lucas Paglia, Presidente em exercício da Rede Governança Brasil, e Sandra Vespasiano, Diretora de Governança da RGB. Na sequência, participaram das discussões José Pacheco, especialista com atuação no contexto peruano, e Elise Brites, Diretora Institucional da Rede Governança Brasil.


Governança, integridade e riscos: três dimensões de uma mesma questão


A discussão foi estruturada a partir da relação entre três dimensões fundamentais para a sustentabilidade das Escolas de Negócios: governança, integridade e gestão de riscos.


A apresentação utilizada no encontro sintetizou essa relação em uma questão central: o que pode fazer uma Escola de Negócios perder o direito de existir?


A partir dessa perspectiva, o grau acadêmico foi apresentado como um ativo regulado, cuja credibilidade depende de estruturas adequadas de governança, integridade e gestão de riscos.


Nesse modelo, a governança define quem decide, com quais regras e como presta contas; a integridade busca assegurar que aquilo que a instituição certifica seja verdadeiro; e a gestão de riscos trabalha para antecipar situações que possam comprometer a instituição antes que elas ocorram.


A abordagem reforçou que essas três dimensões não devem ser tratadas de forma isolada. A governança estabelece estruturas e responsabilidades, a integridade dá legitimidade às práticas institucionais e a gestão de riscos contribui para a prevenção e o tratamento de situações capazes de afetar os objetivos da organização.


O contexto regulatório peruano


Um dos destaques do encontro foi a apresentação do marco regulatório peruano aplicado às instituições de ensino e às Escolas de Negócios.


Foram apresentados diferentes órgãos, normas e responsabilidades relacionados ao funcionamento dessas instituições. Entre eles estão a SUNEDU, responsável pelo licenciamento institucional; o SINEACE, relacionado à acreditação; a legislação de compliance corporativo; a legislação de proteção de dados pessoais; e o INDECOPI, relacionado à proteção do consumidor.



A apresentação também chamou atenção para uma diferença entre os dois países: no Peru, o MBA universitário é tratado como grau acadêmico, enquanto, no Brasil, a apresentação o caracteriza como especialização.


Outro ponto abordado foi a existência de diferentes modelos de instituições no contexto peruano, incluindo Escolas de Negócios vinculadas a universidades licenciadas, escolas de pós-graduação licenciadas e instituições de educação executiva não licenciadas. Cada modelo apresenta diferentes responsabilidades e exposições a riscos regulatórios, acadêmicos, institucionais e relacionados ao consumidor.


A licença como compromisso permanente


Entre os aspectos apresentados durante o encontro esteve a mudança no tratamento do licenciamento institucional no Peru.


A apresentação destacou a Lei 32105, de 2024, segundo a qual a licença passa a ter caráter permanente, mas pode ser perdida caso deixem de ser cumpridas as condições básicas de qualidade. A ideia reforça que o licenciamento não deve ser compreendido apenas como uma autorização inicial, mas como um compromisso permanente com padrões de qualidade e conformidade.


Nesse contexto, governança, controles e monitoramento passam a ter papel permanente na sustentabilidade institucional.


Separar a decisão empresarial da decisão acadêmica


Outro eixo importante da discussão foi a arquitetura de governança das Escolas de Negócios.


A proposta apresentada contempla diferentes instâncias, como diretoria, conselho acadêmico, conselho consultivo empresarial e comitês voltados à qualidade, compliance, ética, integridade, riscos e auditoria.



Entre os princípios destacados está a necessidade de separar a decisão empresarial da decisão acadêmica, preservando a autonomia relacionada a currículo, docentes, admissão e titulação.


A apresentação também destacou três situações que exigem regras institucionais claras: a relação entre mantenedora e autonomia acadêmica; conflitos entre interesses pessoais e institucionais; e a tensão entre geração de receitas e rigor acadêmico.

Nesse último caso, a orientação apresentada é que critérios de admissão e titulação sejam definidos pelo conselho acadêmico, e não pela área comercial.


Integridade acadêmica diante de novos desafios


A integridade acadêmica também ocupou espaço central no encontro.

Entre os riscos apresentados estão questões relacionadas a teses e trabalhos de pesquisa, originalidade e plágio, uso de inteligência artificial generativa, processos de admissão e registros acadêmicos.


Como mecanismos de controle, foram apresentados procedimentos como verificação de similaridade antes da defesa, depósito em repositório institucional, políticas para uso declarado de inteligência artificial, rastreabilidade do processo acadêmico e defesa oral dos trabalhos.


O debate evidencia que a transformação tecnológica, especialmente com a expansão das ferramentas de inteligência artificial, cria novas oportunidades, mas também exige que as instituições estabeleçam regras, responsabilidades e mecanismos de acompanhamento.


Compliance e responsabilidade institucional


A discussão também abordou a aplicação de mecanismos de compliance e integridade institucional às Escolas de Negócios.


Entre os exemplos apresentados estão programas de prevenção, mapas de riscos, canais de denúncias, ações de capacitação e monitoramento contínuo.


No ambiente educacional, esses mecanismos podem estar relacionados a situações como programas de capacitação oferecidos ao setor público, bolsas ou descontos destinados a agentes que contratam serviços, atuação de intermediários na captação de alunos, divulgação de graus ou acreditações e utilização de dados de estudantes.

A abordagem reforçou que a integridade não se restringe ao ambiente acadêmico, alcançando também relações comerciais, institucionais e administrativas.


Gestão de riscos e capacidade de antecipação


A gestão de riscos foi apresentada como uma dimensão essencial para antecipar situações capazes de comprometer a instituição.


O mapa apresentado durante o encontro reuniu riscos regulatórios, de integridade acadêmica, relacionados ao consumidor e à publicidade, às parcerias, à proteção de dados pessoais e às relações financeiras e com partes relacionadas.


A proposta é que cada Escola de Negócios desenvolva seu próprio mapa, considerando sua realidade, seus objetivos, sua estrutura e seu nível de exposição.


Também foi apresentado o modelo das três linhas, envolvendo a gestão acadêmica e de programas, as áreas de qualidade, compliance e riscos, e a auditoria interna ou externa independente. O modelo é acompanhado por indicadores e alertas que permitem monitorar situações como similaridade em trabalhos acadêmicos, taxa de titulação, reclamações, qualificação docente, contratos de parceria e tratamento de denúncias.


Experiências e casos do Peru


A apresentação trouxe ainda exemplos de situações ocorridas no Peru envolvendo integridade, regulação, controles acadêmicos e relação com consumidores.


Entre os casos apresentados estão oferta de programa sem autorização, negativa de licença por ausência de condições básicas de qualidade, problemas relacionados a registros acadêmicos e aplicação de multa por serviço considerado inadequado.


Os exemplos foram utilizados para demonstrar como falhas de governança, integridade ou controle podem produzir consequências regulatórias, acadêmicas, financeiras e reputacionais.


Uma agenda de transformação para as Escolas de Negócios


Como encaminhamento, a apresentação propôs uma rota de implementação em três horizontes: 90 dias, 12 meses e 24 meses.


Na primeira etapa, estão previstos diagnóstico do modelo institucional, elaboração de mapa de decisões e riscos e estabelecimento de políticas de integridade acadêmica e inteligência artificial.


Em 12 meses, a proposta inclui alinhamento de estatutos e regulamentos, criação ou fortalecimento de comitês de qualidade, ética e riscos, implementação de modelo de prevenção e canal de denúncias e acompanhamento periódico por meio de painéis de alerta.


Em 24 meses, a instituição poderá avaliar decisões estratégicas relacionadas a alianças, licenciamento ou integração, além de avançar em processos de acreditação e auditorias externas de governança e integridade.


Brasil e Peru: aproximação para fortalecer a governança na educação


Ao aproximar especialistas e experiências do Brasil e do Peru, o encontro ampliou a discussão sobre como as instituições de educação executiva podem responder a um ambiente marcado por novas exigências regulatórias, transformação tecnológica e maior necessidade de transparência e responsabilidade institucional.


A iniciativa do Comitê de Governança em Educação da Rede Governança Brasil reforça a importância do intercâmbio internacional para discutir práticas de governança aplicadas ao setor educacional.


Mais do que discutir excelência acadêmica, o encontro colocou em evidência a necessidade de construir instituições capazes de decidir com responsabilidade, certificar com integridade e antecipar riscos.


Como sintetizado na apresentação, três mensagens orientam essa perspectiva: o grau é um ativo regulado, e não um produto; a permanência da licença depende da permanência da governança; e integridade e risco são gerenciados por meio de regras, dados e responsáveis.



Participantes


Lucas Paglia — Presidente em exercício da Rede Governança Brasil. Pós-graduado em Compliance pela FGV, com especializações e certificações em proteção de dados, privacidade, cibersegurança e Healthcare Compliance. Atua como DPO e Compliance Officer e possui experiência em governança, proteção de dados, riscos e compliance.

Sandra Vespasiano — Diretora de Governança da Rede Governança Brasil. Doutoranda em Ciências Empresariales y Sociales pelo IESLA/UCES Buenos Aires, mestre em Gestão do Desenvolvimento Local Sustentável e especialista em Compliance e Gestão de Riscos, entre outras áreas. Atua como pesquisadora externa do LAB GRC UFPE, docente e coautora de livros nas áreas de compliance, governança, riscos, proteção de dados e ESG.

José Pacheco — Director General en Meritum Business School, sócio de Compliance em Ladersam Consultores e Director FINASOC no Peru. É Diretor do Instituto Iberoamericano de Compliance – Capítulo Peru, contador público colegiado, MBA em Direção Geral e profissional certificado em prevenção à lavagem de dinheiro e Corporate Compliance. Possui experiência em compliance, auditoria OEA, sistemas de gestão antissuborno, controle interno e gestão de segurança da cadeia logística.

Elise Brites — Diretora Institucional da Rede Governança Brasil, professora, advogada, auditora líder e administradora. É doutora em Ciências da Educação e atua também na área de compliance.


Encontro Internacional “Além da Excelência”Tema: Desafios de governança, integridade e gestão de riscos nas Escolas de Negócios

Data: 8 de outubro de 2026

Formato: On-line

Realização: Comitê de Governança em Educação da Rede Governança Brasil


Assessoria de Comunicação - Hércules Anjos

 
 
 

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