top of page

Comitê de Governança em Saúde da RGB lança propostas para o SUS

  • Foto do escritor: RGB
    RGB
  • 21 de out. de 2022
  • 6 min de leitura


Com o apoio institucional do Hospital Albert Einstein ao Comitê de Governança em Saúde da Rede Governança Brasil (RGB), grupo coordenado pelo ex-ministro da saúde Dr. Nelson Teich, elaborou um documento com propostas para o Sistema Único de Saúde (SUS). A publicação apresenta uma série de reflexões sobre a regionalização, a partir da análise de indicadores selecionados para caracterizar a efetividade da Atenção Primária à Saúde (APS) nas macrorregiões de saúde do Brasil.


O estudo analisa que a necessidade de organização regionalizada no âmbito do SUS surge em razão da incapacidade de vários municípios, isoladamente, garantirem o direito à saúde de forma integral, principalmente dentro de serviços de alta complexidade, alto custo e de relativa baixa demanda.


Segundo o coordenador do Comitê de Governança em Saúde da RGB, Nelson Teich, o objetivo é levar esse e futuros estudos para o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), Conselho Nacional de Secretarias municipais de Saúde (CONASEMS) e Ministério da Saúde para auxiliar na compreensão dos gargalos, da operação, do acesso e da qualidade da entrega para a sociedade.


“Os estudos e pesquisas subsequentes serão definidos a partir das necessidades de estados e municípios, provavelmente como um desdobramento dos estudos anteriores. Também é importante levar os diagnósticos e problemas, trabalhados de forma detalhada, para o Legislativo, que tem um papel cada vez maior no financiamento do SUS”, afirmou Teich.


Resultados


A partir dos resultados, os indicadores foram agrupados em quatro dimensões: Dimensão ‘Socioeconômica’; Dimensão Estrutura da APS ; Ações e Serviços de APS e dimensão Indícios sobre a Resolutividade da APS.


Na dimensão socioeconômica, algumas informações chamam atenção. Os indicadores apontam os desafios de naturezas diversas para os serviços de saúde e para a estruturação de redes de atenção à saúde (RAS) resolutivas, a partir da APS. Os dados mostram que quase 30% da população nas macrorregiões do Nordeste e quase 20% no Norte vivem em municípios de extrema pobreza, em contraste com o universo de 6% nas demais regiões. Por outro lado, o mesmo padrão de disparidade se repete para a porcentagem da população coberta por planos privados de saúde: quase 36% no Sudeste contra menos de 12% no Norte e Nordeste.


Já a dimensão estrutura da APS, a partir de parâmetros mínimos em relação à população atendida pelas estruturas físicas e recursos humanos, traz que, em sete macrorregiões, incluindo a de Brasília e quatro macrorregiões do estado de São Paulo, existem menos de 10 UBS por 100 mil habitantes. Um valor quatro vezes maior (mais de 40 UBS/100 mil habitantes) é observado em três macrorregiões do Nordeste.


Ao agrupar esses resultados, nesta dimensão da APD, a região Nordeste se destaca positivamente na maior parte das métricas nessa dimensão: estabelecimentos de saúde (número de UBS e Academia da Saúde por 100 mil hab.), profissionais (número de ACS, Médicos da ESF, Enfermeiros da ESF, e Cirurgiões dentistas da ESF por 100 mil hab.).


A região Sudeste se destaca negativamente na maior parte das métricas dessa dimensão (UBS, Academia da saúde, ACS, Médicos da ESF, Enfermeiros da ESF, Cirurgiões dentistas da ESF e Cobertura da AB). Por sua vez, possui o maior número (29,03) de eletrocardiógrafos por 100 mil habitantes.


Na dimensão de ações e serviços de APS, os dados revelam que o Sudeste apresenta o pior desempenho – em contraste com o Nordeste, com o melhor desempenho – em boa parte das métricas: acompanhamento de usuários com Hipertensão e Diabetes na APS, e de gestantes com atendimento odontológico e exames para sífilis e HIV realizados. Os indicadores do Previne Brasil chamam também atenção por seus baixos valores em todas as regiões do país: o acompanhamento de pessoas com Hipertensão Arterial (HA) e Diabetes Mellitus (DM) na APS, e a cobertura do citopatológico na população feminina.

Por último, a dimensão indícios sobre a resolutividade da APS expõe que a região Sudeste apresenta os maiores valores para casos de tuberculose e sífilis congênita notificados por 100 mil habitantes, já a região Sul apresenta os maiores valores para casos de sífilis adquirida notificados por 100 mil habitantes. As regiões Sul e Sudeste apresentam taxas consideravelmente maiores (>41) de internação por Doença Renal Crônica (DRC) em relação às regiões Norte e Nordeste (<30).


Conclusão


O coordenador do Comitê de Governança em Saúde explicou sobre o critério dos 5.570 municípios serem agrupados por macrorregiões, para que os pacientes tenham o cuidado adequado e eficiente em saúde, desde a atenção primária até a alta complexidade. “Temos hoje 116 macrorregiões de saúde no Brasil. Entender a distribuição, a operação e a qualidade do cuidado dessas macrorregiões é necessário para avaliar a operação atual e para fazer os ajustes necessários. Essa avaliação e os ajustes precisam acontecer de forma contínua”, disse Teich.


Ainda segundo Teich, o estudo realizado analisa as macrorregiões na perspectiva da Atenção Primária, e mostrou que existe uma grande heterogeneidade na estrutura, na operação e na entrega dessas macrorregiões. “Essas diferenças precisam ser trabalhadas para garantir um cuidado adequado e com equidade no país. Esse estudo é um ponto de partida para entender a realidade atual das macrorregiões e para discutir as estratégias e ações necessárias para que um cuidado de qualidade, eficiente e integral seja entregue com equidade para a população brasileira”, finalizou.


Propostas do documento:


a. Identificar e acompanhar as macrorregiões de saúde em relação a estrutura física e recursos humanos, adotando parâmetros mínimos por 100 mil habitantes e desencadeando ações corretivas imediatas.


b. Estudar e validar métricas para avaliar, acompanhar e pactuar resultados no nível das macrorregiões de saúde, incluindo medidas de desfecho clínico e de eficiência do cuidado (para tal, se faz necessário correlacionar os desfechos clínicos obtidos e os investimentos financeiros realizados).


c. Aprofundar, por meio de estudos de casos, o entendimento sobre as macrorregiões de maior destaque tanto no aspecto positivo quanto no negativo.


d. Ampliar o investimento coordenado, no nível das macrorregiões, em ações de promoção-prevenção e em treinamento de profissionais e equipes de APS, em especial para o acompanhamento e intervenções em pacientes com DCNTs.


e. Qualificar a gestão pública, nos três níveis de governo, em relação à regionalização, inclusive com o desenvolvimento de ferramentas institucionais, tecnológicas e financeiras capazes de aproximar (e de incentivar a aproximação) entre os diferentes níveis do cuidado para o melhor atendimento às necessidades dos usuários.


f. Identificar, discutir e definir os papéis e responsabilidades entre atores-chave das redes do processo de regionalização tanto no nível político quanto no nível técnico-assistencial, inclusive com articulação intersetorial.


g. Engendrar esforços referentes à integração de dados nos sistemas nacionais de informação em saúde.


h. Estudo complementar para avaliação do impacto da saúde suplementar nas macrorregiões - considerando que a proporção da população coberta por planos de assistência médica varia em grande medida no território nacional, e o peso desta variável na dependência e utilização das ações e serviços do SUS por parte da população, influenciando na estrutura da rede assistencial, a o acesso e os desfechos dos cuidados.


i. Avaliar o impacto da saúde suplementar nas diferentes macrorregiões de saúde. O quanto a sua penetração impacta no número de vidas acompanhadas pelo SUS e nos desfechos clínicos.


*Esse trabalho é fruto do apoio institucional do Einstein ao Comitê de Governança em Saúde, da Rede Governança Brasil (RGB), liderado pelo ex-ministro da saúde Dr. Nelson Teich. Esse apoio, que culminou no presente estudo, contou com a participação voluntária das equipes do Centro de Estudos e Promoção de Políticas de Saúde (CEPPS), nas pessoas de Marina Siqueira, Luana Araújo, Gabriely Rangel e Lucas Corrêa; do Centro de Estudos, Pesquisas e Prática em APS e Redes (CEPPAR), na pessoa de Daiana Bonfim; da Diretoria de Atenção Primária e Redes do Instituto Israelita de Responsabilidade Social (IIRS), nas pessoas de Márcio Paresque e Luciana Borges; e do pesquisador Paulo Mota, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FMUSP). Além das interações constantes entre esses profissionais e o Dr. Nelson Teich, foram realizados dois workshops para discutir o tema da regionalização e de possíveis metodologias para a realização do trabalho: um no dia 27/04/2022, em São Paulo, liderado pelo Einstein, e outro no dia 09/05/2022, em Brasília, liderado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS). O trabalho foi apresentado e acompanhado pelos membros do Comitê de Governança em Saúde, em reuniões virtuais.




Assessoria de imprensa da RGB

Cintia Lima – (61) 98279-6538


Comentários


REDE GOVERNANÇA BRASIL

Quem somos
Alagov
Embaixador da RGB
Gestão Estratégica
Transparência
Relatório de Gestão
Planejamento

REDE GOVERNANÇA BRASIL

ouvidoria@rgb.org.br
contato.rgb@rgb.org.br
presidencia@rgb.org.br


 

POLITICAS DE GOVERNANÇA

NBR 17265:2026
PL da Governança
 

POLITICAS DE PRIVACIDADE

Politicas da RGB

IMPRENSA

Assessoria de comunicação RGB

ADESÃO

Seja um associado PJ
Seja um associado PF
Inscrições RGB Jovem

SERVIÇOS 

Curso para ser mentor
Capacitação
Palestrantes 

PRODUTOS

Prêmio RGB
Selo de Excêlencia
Selo Agente Transformador
Selo Jovem Transformador
Comenda Augusto Nardes

 

© 2026 Rede Governança Brasil (RGB). Todos os direitos reservados. I Criado e desenvolvido por A63 Comunicação.

bottom of page